UM POUCO DE HISTÓRIA

 

A arte do Karaté é sem duvida a mais antiga de todas as artes marciais.

Consiste em tornar os punhos e todas as partes do corpo numa verdadeira arma natural de bater.

A função do Karaté, como a do Aiki-do, Judo, Kendo, etc. , é a de não opor qual­quer resistência mental que se transforme numa espécie de percepção.

Isto é as reacções mentais ligadas ao medo ou ao simples instinto podem tornar-se

tão evidentes que a sensação do que o adversário vai decidir fazer é de tal modo imediata que a resposta não se faz esperar.

O ensinamento das artes marciais é verdadeiramente ilimitado. Os mestres japo­neses não gostam de falar dos aspectos mais secretos das suas artes. Preferem, ao longo dos anos, levar os seus discípulos por uma via que se encontra para lá das palavras. O próprio objectivo de bater ou atingir o adversário torna-se secundário.

Com efeito, é unicamente quando um homem se encontra interiormente unido e liberto que ele pode tornar-se também um verdadeiro mestre. Venceu o medo, encontra-se no centro de si próprio, conhece um ponto de equilíbrio e um ponto de energia que sabe dirigir. Ultrapassou assim a força bruta. Sabe orientar as suas forças interiores e empregar outras energias para além das suas possibilidades físicas. Ultrapassou certamente a violência, razão pela qual, sem  duvida, em tempos idos, vários mestres de artes marciais se tornaram monges Zen.

 

Hoje em dia, as origens do Japão inicial tornam-se cada vez mais raras, talvez por isso o único interesse realmente verdadeiro resida nesses homens que possu­em ainda, o verdadeiro conhecimento, aquele que, para lá das aparências, unifica e liberta o homem.